LEI CAROLINA DIECKMANN

Lei Carolina Dieckmann – A nova Lei 12.797/12

Bruno Freitas da Silva – Advogado
Montes Claros – Abril/2013
www.espiritosantoadvocacia.com.br

Entrou em vigor no dia 02 de abril de 2013, a Lei 12.797/12 que ficou conhecida como Lei Carolina Dieckmann, a atriz que teve seu computador invadido por hackers os quais divulgaram fotos intimas da atriz na rede de internet.Pela primeira vez dispõe a lei brasileira sobre a tipificação criminal de delitos informáticos, permitindo a responsabilização penal dos infratores, vez que até então o Código Penal não possuía artigos que tratassem especificamente de crimes eletrônicos.

Referida Lei acrescentou os arts. 154-A e 154-B e ainda alterou os arts. 266 e 298 do Código Penal.

O artigo 154-A tipifica o crime de invasão de dispositivo informático, seja este conectado ou não à rede de computadores, através de violação de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização do titular do dispositivo.

A pena prevista para a conduta trazida no caput, bem como para quem comercializa dispositivo ou programa cuja finalidade seja permitir a prática de referida conduta, é de 3 meses a 1 ano de detenção e multa. Ademais, se da invasão resultar prejuízo econômico a pena pode ser aumentada de 1/6 a 1/3.

A nova Lei ainda prevê outra causa de aumento de pena, se o crime for praticado contra presidente da República, governadores, prefeitos, entre outros previstos no rol taxativo do parágrafo 5º.

A pena será mais grave, de seis meses a dois anos, no caso em que a invasão seja para obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais ou informações sigilosas.

O artigo 154-B estabelece que a Ação Penal para as condutas trazidas pelo artigo anterior somente se procede mediante representação do ofendido, qual seja, daquele que teve seu dispositivo violado, salvo se o crime for cometido contra a administração direta ou indireta de qualquer dos poderes da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, ou ainda contra empresas concessionárias de serviços públicos. Nesses casos específicos a Ação Penal será pública incondicionada.

Ao artigo 266 do Código Penal foram acrescentados dois parágrafos, o primeiro para acrescentar ao tipo penal já existente a interrupção de serviço telemático ou informação de utilidade pública e o segundo prevendo a aplicação de pena em dobro se o crime for cometido por ocasião de calamidade pública.

A última alteração trazida pela lei que passa a vigorar é a inserção do parágrafo único no artigo 298 do Código Penal, que equipara a documento particular o cartão de crédito ou débito para fins de tipificação do crime de falsificação de documento particular.

Embora ainda haja aspectos que precisam ser analisados pela doutrina e também pela jurisprudência que se firmará, o diploma em questão certamente traz inovações necessárias levando em consideração todo o aparato tecnológico que cada vez mais faz parte de nossas atividades diárias.

Bruno Freitas da Silva
www.espiritosantoadvocacia.com.br

Visualizações: (730)

Show Comments

Comments are closed.